quarta-feira, 15 de outubro de 2014

O diabo jamais irá se arrepender e pedir perdão a Deus - por Santa Brígida.



POR: REVELAÇÕES DE SANTA BRÍGIDA.

Então o Senhor disse ao demônio: “Se sou tão misericordioso que não recuso perdoar a ninguém que me peça humildemente, pede-me tu mesmo misericórdia e Eu a darei”. O demônio lhe respondeu: “Isso não farei de nenhuma maneira! No momento de minha queda foi estabelecido um castigo para cada pecado, para cada pensamento ou palavra indigna. Cada um dos espíritos que caiu terá seu castigo. Mas antes de dobrar meu joelho ante ti, buscaria todos os castigos para mim enquanto minha
boca possa abrir e fechar no castigo e o renovaria eternamente para ser castigado de novo”. Então, o Senhor disse à sua esposa: “Veja que endurecido está o príncipe do mundo e que poderoso é contra minhas graças, a minha oculta justiça! Tenha certeza de que poderia destruí-lo em um segundo por meio do meu poder, mas não lhe faço mais dano assim como a um bom anjo do Céu. Quando chegar seu tempo, e já está se aproximando, o julgarei e também a seus seguidores. Por isso, esposa minha, 
persevera nas boas obras! Ama-me com todo teu coração! Não temas a nada mais que a mim! Pois Eu sou o Senhor que está acima do demônio e de tudo que existe”.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O duríssimo julgamento de um cônego condenado ao inferno. Por Santa Brígida.




POR: REVELAÇÕES DE SANTA BRÍGIDA.


Palavras do Senhor à esposa descrevendo como foi julgado um homem ante o tribunal
de Deus e sobre a terrível sentença ditada sobre ele por Deus e por todos os Santos.

LIVRO 1 - CAPÍTULO 28

A esposa (santa Brígida) viu que Deus estava enojado e que disse: “Eu sou sem princípio e fim.
Não há mudança em mim nem de anos nem de dias. Todo o tempo do mundo é como
uma só hora ou momento para mim. Todos aqueles que me veem, contemplam e
entendem tudo o que existe em mim em um instante. Entretanto, esposa minha, ao
estares em um corpo material, não podes perceber nem conhecer como um espírito
conhece. Por isso, para teu bem, te explicarei o que sucedeu. Eu estava, por assim
dizer, sentado no tribunal para julgar, porque todo juízo me foi dado, e certa pessoa veio
a ser julgada ante o tribunal. A voz do Pai ressoou e lhe disse: ‘Mais te valeria não ter
nascido’. Não era porque Deus se tivesse arrependido de criá-lo, e sim como qualquer
um que sentisse preocupação por outra pessoa e se compadecesse dela. A voz do Filho
interveio: ‘Eu derramei meu sangue por ti e aceitei uma duríssima penitência, mas tu te
afastaste completamente e isso já não tem nada a ver contigo’. A voz do Espírito disse:
‘Eu busquei por todos os rincões do seu coração para ver se poderia encontrar algo de
ternura e caridade, mas és tão frio como o gelo e tão duro como uma pedra. Este
homem não me diz respeito.’ Estas três vozes não se ouviram como se fossem três
deuses, mas foram ditas audíveis para ti, esposa minha, porque de outra forma não
terias podido compreender este mistério.”
As três vozes, do Pai, Filho e Espírito Santo, se transformaram imediatamente em
uma só voz que retumbou e disse: “De nenhuma maneira merece o reino dos Céus!” A
Mãe da misericórdia permaneceu em silêncio e não moveu sua misericórdia, pois o
defendido não era digno dela. Todos os Santos clamaram a uma voz dizendo: “É justiça
divina para ele o ser perpetuamente exilado de seu Reino e de seu gozo”. Todos no
purgatório disseram: “Não temos uma penitência suficientemente dura para castigar teus
pecados. Terás que suportar maiores tormentos e, portanto, tens que ser apartado de
nós”. Então, o mesmo defendido exclamou com uma voz horrenda: “Ai, ai da semente
que fecundou no ventre de minha mãe e da qual eu me formei!” Por segunda vez
exclamou: “Maldita a hora em que minha alma se uniu a meu corpo e maldito aquele que
me deu um corpo e uma alma!” Voltou a clamar uma terceira vez: “Maldita a hora em
que sai do ventre de minha mãe!” Então chegaram três vozes horríveis do inferno que
lhe diziam: “Vem conosco, alma maldita, como o líquido que se derrama até a morte
perpétua e vive sem fim!” Por segunda vez, as vozes voltaram a chamá-lo: “Vem, alma
maldita, vazia por sua maldade! Nenhum de nós deixará de encher-te com seu próprio
mal e dor!” Por terceira vez assim juntaram: “Vem, alma maldita, pesada como uma
pedra que se afunda e nunca alcança o fundo onde descansar! Descerás mais baixo
que nós e não pararás até que não tenha chegado ao mais profundo do abismo”.
Então, o Senhor disse: “Como um homem com várias esposas, que vê cair uma e
se separa dela, se volta para as outras que permanecem firmes e se alegra com elas,
assim Eu separei dele meu rosto e minha misericórdia, e me volto para os que me
servem e me obedecem e me alegro com eles. Portanto, agora que sabes de sua queda
e desgraça, serve-me com maior sinceridade do que ele, em proporção à maior
misericórdia que te dispenso! Aparta-te do mundo e de seus desejos! Por acaso eu
aceitei tão amarga Paixão pela glória do mundo; ou porque não podia consumá-la em
menos tempo e com mais facilidade? Claro que podia! Contudo, a justiça exigia isso.
Como a humanidade pecou em todos e cada um de seus membros, tive que fazer
cumprir a justiça em todos e cada um dos meus membros. Por isso, Deus, em sua
compaixão pela humanidade e em seu ardente amor para com a Virgem, recebeu dela
uma natureza humana através da qual pude suportar todo o castigo ao qual estaria
fadada a humanidade. Ao haver tomado Eu sobre mim teu castigo, por amor, permanece
firme na verdadeira humildade, como os meus servos, assim, não terás nada de que
envergonhar-te nem nada que temer mais que a mim! Guarda tuas palavras de tal forma
que, se essa fosse minha vontade, tu não falarias. Não te entristeças pelas coisas
temporais que tão somente são passageiras. Eu posso fazer, a quem eu quiser, rico ou
pobre. Assim, pois, esposa minha, deposita toda tua esperança em mim!”

EXPLICAÇÃO

Esse homem era um cônego de nobre reputação e subdiácono que, havendo
obtido uma falsa dispensa, quis casar-se com uma rica donzela. Contudo, foi
surpreendido por uma morte repentina e não conseguiu seu objetivo.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Vamos falar de amor? O amor de Deus.



POR: PREPARAÇÃO PARA A MORTE (Santo Afonso Ligório).

Considera, antes de tudo, que Deus merece o teu amor, porque ele te amou antes de ser amado por ti, e, de todos quantos te hão amado, é o primeiro (Jr 31,3). Os primeiros que te amaram neste mundo foram teus pais, mas só te amaram depois que te conheceram. Mas Deus já te amava antes de existires. Mesmo antes da criação do mundo, Deus já te amava. E quanto tempo antes de ter criado o mundo começou a te amar?... Talvez mil anos, mil séculos?... Mas não computemos anos nem séculos. Deus te amou desde toda a eternidade (Jr 31,3). Enfim: desde que Deus é Deus, sempre te tem amado; desde que se amou a si mesmo, também amou a ti. Com razão, dizia a virgem Santa Inês: “Outro amante me cativou primeiro”. Quando o mundo e as criaturas requestaram o seu amor, ela respondia: Não, não vos posso amar. Meu Deus foi o primeiro a amar-me, e é justo, portanto, que só a ele consagre todo o meu amor.

Assim, meu irmão, Deus te tem amado desde toda a eternidade; e só por amor te escolheu entre tantos homens que podia criar, deu-te a existência, colocou-te no mundo e, além disso, tirou do nada inumeráveis e formosas criaturas que te servem e te lembram esse amor que ele te dedica e que tu lhe deves. “O céu, a terra e todas as criaturas, dizia Santo Agostinho, me convidam a amar-vos”. Quando este Santo contemplava o sol, a lua, as estrelas, os montes e os rios, parecia-lhe que tudo falava, dizendo: Ama a Deus, que nos criou para ti, a fim de que o ames. O Padre Rancé, fundador da Trapa, não via os campos, as fontes e os mares, sem recordar-se, por meio dessas coisas criadas, do amor que Deus lhe tinha. Também Santa Teresa disse que as criaturas lhe repreendiam a ingratidão para com Deus. E Santa Margarida de Pazzi, ao contemplar a formosura de alguma flor ou de um fruto, sentia o coração transpassado pelas flechas do amor divino e exclamava: O Senhor, desde toda a eternidade, pensou em criar estas flores, a fim de que o ame! Considera, além disso, o particular amor de Deus, fazendo-te nascer num país
cristão e no seio da santa Igreja. Quantos vêm ao mundo entre idólatras, judeus, maometanos e heréticos, e por isso se perdem!...
Poucos são relativamente os homens que têm a felicidade de nascer onde reina a verdadeira fé, e o Senhor te pôs entre eles... Oh! quão sublime é o dom da Fé! Quantos milhões de almas se vêem privadas dos sacramentos, das prédicas, dos bons exemplos de homens santos! E Deus quis conceder-te todos esses grandes recursos sem nenhum merecimento de tua parte, ou, para melhor dizer, prevendo os teus desmerecimentos. Ao pensar em criar-te e dar-te essas graças, já previa as ofensas que lhe havias de fazer.

Deus não se limitou a dar-nos todas essas formosas criaturas do universo, mas não viu satisfeito o seu amor enquanto não veio a dar a si próprio por nós (Gl 2,20). O maldito pecado nos fez perder a graça divina e o céu, tornando-nos escravos do demônio. Mas o Filho de Deus, com espanto do céu e da terra, quis vir a este mundo, fazer-se homem para remir-nos da morte eterna e reconquistar-nos a graça e o paraíso perdido. Que maravilha seria ver um poderoso monarca tomar a forma e a natureza de um verme por amor aos homens. “Humilhou-se a si mesmo, tomando a forma de servo... e reduzindo-se à condição de homem...” (Fl 2,7). Um Deus revestido de carne mortal! E o Verbo se fez carne (Jo 1,14). Mas o prodígio ainda aumenta, quando se considera o que fez e sofreu depois por nosso amor esse Filho de Deus. Para nos remir, era bastante uma só gota de seu sangue preciosíssimo, uma só lágrima, uma só súplicas, porque esta oração, sendo um ato de pessoa divina, teria infinito valor e era suficiente para resgatar não só um mundo, mas uma infinidade de mundos que houvesse. Observa, entretanto, São João Crisóstomo que aquilo que bastava para resgatar-nos, não era bastante para satisfazer o imenso amor, que Deus nos tinha. Não queria unicamente salvar-nos, mas que muito o amássemos, porque ele muito nos amava. Escolheu vida de trabalhos e de humilhações e a morte mais amargurada entre todas as mortes, a fim de nos fazer compreender o infinito e ardentíssimo amor em que ardia por nós. “Humilhou- se a si mesmo, fez-se obediente até à morte e morte de cruz” (Fl 2,8). Ó excesso de amor divino que nunca os anjos nem os homens chegarão a compreender! Digo excesso, porque é exatamente assim que se exprimiam Moisés e Elias no Tabor, falando da Paixão de Cristo (Lc 9,31). “Excesso de dor, excesso de amor”, disse São Boaventura.
Se o Redentor não tivesse sido Deus, mas simplesmente um parente ou amigo, que maior prova de afeto nos poderia dar do que morrer por nós? “Ninguém tem amor em maior grau do que ele, porque dá a vida por seus amigos” (Jo 15,13). Se Jesus Cristo tivesse de salvar seu próprio pai, que mais poderia ter feito por amor dele? Se tu, meu irmão, fosses Deus e Criador de Jesus Cristo, que mais poderia fazer por ti além de sacrificar sua vida num abismo de humilhações e de dores? Se o mais vil dos homens deste mundo tivesse feito por ti o que fez o Redentor, poderias viver sem o amar? Crês na encarnação e na morte de Jesus Cristo?... Crês e não o amas? Podes sequer pensar em outras coisas, que não seja Jesus Cristo? Duvidas, talvez, do seu amor?... O divino Salvador, diz Santo Agostinho, veio ao mundo para sofrer e morrer por vós, a fim de vos patentear o amor que vos tem. Antes da Encarnação o homem, talvez, poderia pôr em dúvida que Deus o amasse ternamente; mas, depois da Encarnação e morte de Jesus Cristo, quem pode duvidá-lo? Que prova mais evidente e terna podia dar-nos do seu amor do que sacrificar a sua vida por nós?... Estamos habituados a ouvir falar de criação e redenção, de um Deus que nasce num presépio e morre numa cruz... Ó santa fé, ilumina nossas almas!

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Não julgar as pessoas pelo exterior, amar Jesus presente nas pessoas, os santos mascaram suas virtudes - por Santa Terezinha do Menino Jesus


POR: História de uma alma - Santa Terezinha do Menino Jesus

NÃO JULGUEIS E NÃO SEREIS JULGADOS'' - Exemplo prático de Santa Terezinha do Menino Jesus.
''Sinto que quando sou caridosa é só Jesus que age em mim; mais unida fico a Ele, mais amo
todas as minhas irmãs. Quando quero aumentar em mim esse amor, quando o demônio,
sobretudo, procura colocar perante os olhos da alma os defeitos de tal ou qual irmã que me é

menos simpática, apresso-me em procurar ver suas virtudes, seus bons desejos. Penso que,
se a vi cair uma vez, bem pode ter conseguido muitas vitórias que ela esconde por humildade,
e que mesmo aquilo que para mim parece ser uma falta pode ser, devido à intenção, um ato de
virtude. Não tenho dificuldade em acreditar, pois já fiz uma pequena experiência que me
provou que não se deve julgar. Foi durante um recreio, a porteira deu dois toques, era preciso
abrir a grande porta dos serviçais a fim de introduzir árvores destinadas ao presépio. O recreio
não estava alegre, pois não estáveis aí, Madre querida, e, por isso, pensei que me seria
agradável ser mandada para servir de terceira. Nesse momento, madre vice-priora disse-me
que fosse, ou a irmã que estava a meu lado. Logo comecei a desatar o nosso avental, mas
bem devagar, a fim de que minha companheira pudesse desatá-lo antes de mim, pois pensei
agradar-lhe deixando-a ser terceira. A irmã que substituía a depositária observava-nos rindo e,
vendo que me levantei por último, disse-me: Ah! bem que imaginei que não seria vós quem
acrescentaríeis uma pérola à coroa, andáveis devagar demais...
Certamente, a comunidade toda pensou que eu tinha agido segundo a natureza. Não sei dizer
como uma tão pequena coisa fez bem à minha alma e me tornou indulgente em relação às
fraquezas dos outros. Isso me impede também de sentir vaidade quando sou julgada
favoravelmente, pois digo a mim mesma: se meus pequenos atos de virtude são vistos como
imperfeições, pode também haver engano e considerar-se como ato de virtude o que não
passa de imperfeição. Então, digo com são Paulo: Bem pouco me importo em ser julgado por
vós ou por um tribunal de homens, nem julgo a mim mesma; quem me julga é o Senhor. Assim,
a fim de fazer com que esse julgamento me seja favorável, ou melhor, a fim de não ser julgada
de forma alguma, quero ter sempre pensamentos caridosos, pois Jesus disse: Não julgueis e
não sereis julgados.''

Encontra-se na comunidade uma irmã que tem o dom de desagradar-me em tudo, suas
maneiras, suas palavras, seu caráter eram-me muito desagradáveis, porém é uma santa
religiosa que deve ser muito agradável a Deus. Não querendo entregar-me à antipatia natural
que sentia, disse a mim mesma que a caridade não deveria assentar-se nos sentimentos, mas
nas obras. Então, apliquei-me em fazer por essa irmã o que teria feito pela pessoa que mais
amo. Cada vez que a encontrava, rezava por ela, oferecendo a Deus todas as suas virtudes e
méritos. Sentia que isso agradava a Jesus, pois não há artista que não goste de receber
elogios pelas suas obras, e Jesus, o artista das almas, fica feliz quando, em vez de olhar
apenas o exterior, entramos no santuário íntimo que ele escolheu para morada e admiramos
sua beleza. Não me restringia a rezar muito pela irmã que me levava a tantos combates,
procurava prestar-lhe todos os serviços possíveis. Quando estava tentada a responder-lhe de
modo desagradável, contentava-me em lhe dar meu mais agradável sorriso e procurava
desviar a conversa, pois diz-se na Imitação que é melhor deixar cada um no seu sentimento
que se entregar à contestação.
Muitas vezes também quando não estava no recreio (quero dizer, durante as horas de
trabalho), tendo algum relacionamento de serviço com essa irmã, quando os combates se
faziam violentos demais, fugia como desertora. Como ela ignorava completamente o que eu
sentia por ela, nunca suspeitou os motivos do meu comportamento e está persuadida de que o
caráter dela me é agradável. Um dia, no recreio, disse-me, aproximadamente, as seguintes
palavras com ar contentíssimo: "Aceitaríeis dizer-me, Irmã Teresa do Menino Jesus, o que
tanto vos atrai em mim, pois cada vez que me olhais vejo-vos sorrir?" Ah! o que me atraía era
Jesus oculto no fundo da alma dela... Jesus que torna suave o que é amargo... Respondi que
sorria por estar contente em vê-Ia (obviamente não acrescentei que era do ponto de vista
espiritual).

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Santa Terezinha do Menino Jesus e o dia de seus votos.


POR: HISTÓRIA DE UMA ALMA 

Na manhã de 8 de setembro senti-me inundada por um rio de paz e foi nessa paz,
"ultrapassando qualquer sentimento", que pronunciei meus santos votos... Minha união com
Jesus fez-se, não em meio a trovões e relâmpagos, isto é, a graças extraordinárias, mas no
meio de uma leve brisa parecida àquela que nosso Pai santo Elias ouviu na montanha...
Quantas graças pedi naquele dia!... Sentia-me verdadeiramente Rainha, e aproveitei do meu
título para liberar cativos, obter favores do meu Rei para com seus súditos ingratos, enfim,
queria libertar todas as almas do purgatório e converter os pecadores... Rezei muito por minha
Madre, minhas irmãs queridas... pela família toda, mas sobretudo por pneu paizinho tão
provado e tão santo ... Ofereci-me a Jesus, a fim de que cumprisse perfeitamente em mim a
sua vontade sem que nunca as criaturas impusessem obstáculos...
Esse belo dia, à semelhança dos mais tristes, passou, sendo que os mais radiantes também
têm o dia seguinte. Mas foi sem tristeza que depositei minha coroa aos pés de Nossa Senhora,
sentia que o tempo não levaria embora a minha felicidade... Que festa bonita foi a da
Natividade de Maria para vir a ser a esposa de Jesus! Era a pequena Santíssima Virgem que
apresentava sua pequena flor ao menino Jesus... Naquele dia, tudo era pequeno, fora as
graças e a paz que recebi, fora a alegria calma que senti de noite ao olhar as estrelas brilharem
no firmamento, pensando que em breve o belo Céu iria se abrir para meus olhos maravilhados
e poderia unir-me a meu Esposo no seio de uma alegria eterna...

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Sobre o Pecado Mortal e o Nada do Homem - Santo Afonso Ligório



POR: PREPARAÇÃO PARA A MORTE.

Primeiramente, o pecado mortal é uma ofensa grave que se faz a Deus. A malícia de uma ofensa, diz São Tomás, se mede pela pessoa que a recebe e pela pessoa que a comete. A ofensa feita a um simples particular é sem dúvida um mal; mas constitui delito maior se é feita a uma pessoa de alta dignidade, e muito mais grave quando visa o rei... E Quem é Deus? É o Rei dos reis (Ap 17,14). Deus é a Majestade infinita, perante quem todos os príncipes da terra e todos os santos e anjos do céu são menos que um grão de areia (Is 40,15). Diante da grandeza de Deus, todas as criaturas são como se não existissem (Is 40,17). Eis o que é Deus... E o homem, o que é?... Responde São Bernardo: saco de vermes, pasto de vermes, que cedo o hão de devorar. O homem é um miserável que nada pode, um cego que nada vê; pobre e nu, que nada possui (Ap 3,17). E este verme miserável se atreve a injuriar a Deus? exclama o mesmo São Bernardo. Com razão, pois, afirma o Doutor Angélico, que o pecado do homem contém uma malícia quase infinita. Por isso, Santo Agostinho chama, absolutamente, o pecado mal infinito. Daí se segue que todos os homens e todos os anjos não poderiam satisfazer por um só pecado, mesmo que se oferecessem à morte e ao aniquilamento. Deus castiga o pecado mortal com as penas terríveis do inferno; contudo, esse castigo é, segundo dizem todos os teólogos, citra condignum, isto é, menor que a pena com que tal pecado deveria ser castigado.
E, na verdade, que pena bastará para castigar como merece um verme que se rebela contra seu Senhor? Somente Deus é Senhor de tudo, porque é o Criador de todas as coisas (Et 13,9). Por isso, todas as criaturas lhe devem obediência. “Obedecem-lhe os ventos e os mares” (Mt 9,27). “O fogo, o granizo, a neve e o gelo”... executam suas ordens (Sl 148,8). Mas o homem, quando peca, que faz senão dizer a Deus: Senhor, não quero servir-te (Sm 2,20).
O Senhor lhe diz: “Não te vingues”, e o homem responde: quero vingar-me. “Não te aposses dos bens alheios”, e deseja apoderar-se deles. “Abstém-te do prazer impuro”, e não se resolve a privar-se dele.
O pecador fala a Deus do mesmo modo que o ímpio Faraó, quando Moisés lhe comunicou a ordem divina de que desse liberdade ao povo de Israel. Aquele temerário respondeu: “Quem é o Senhor, para que eu obedeça à sua voz?... Não conheço o Senhor” (Êx 5,2). O pecador diz a mesma coisa: Senhor, não te conheço; quero fazer o que me agrada.
Em suma: na presença de Deus mesmo lhe falta o respeito e se afasta dele e nisto consiste propriamente o pecado mortal: o ato com que o homem se alheia de Deus. Disto se lamentava o Senhor, dizendo: Ingrato foste, “tu me abandonaste”; eu jamais quisera apartar-me de ti; “tu me voltaste as costas” (Sm 15,6).
Deus declarou que aborrece o pecado, de modo que não pode deixar de aborrecer a quem o comete (Sb 14,9). Quando o homem peca, ousa declarar-se inimigo de Deus e combate frente a frente contra Ele (Jo 12,25). Que dirias de visses uma formiga a lutar com um soldado?...
Deus é esse onipotente Senhor, que, com um ato de sua vontade, arrancou do nada o céu e a terra (2Mc 7,28). E, se quisesse, por um sinal seu, poderia aniquilá-los (2Mc 8,18). O pecador, quando consente no pecado, levanta a mão contra Deus, e “com colo erguido”, isto é, com orgulho, corre a insultar a Deus; arma-se de grossa cerviz (Jo 15,25) (símbolo de ignorância), e exclama: “Que grande mal é o pecado que fiz?... Deus é bom e perdoa aos pecadores...” Que injúria! que temeridade! que cegueira tão grande!

SÚPLICAS.

Eis-me aqui, meu Deus! A vossos pés está o rebelde temerário, que tantas vezes em vossa presença se atreveu a vos injuriar e a vos voltar as costas, mas agora implora a vossa piedade. Vós, Senhor, dissestes: Clama a mim e te ouvirei (Jr 33,3). Reconheço que o inferno é pouco castigo para mim; mas sabeis que tenho maior dor de vos ter ofendido, ó Bondade infinita, que se tivesse perdido tudo o que me pertence, sem excetuar a vida. Perdoai-me, Senhor, e não permitais que vos torne a ofender. Haveis esperado por mim, a fim de que vos amasse 48 e bendissesse para sempre vossa misericórdia. Oh! sim, eu vos amo e bendigo, e espero que, pelos merecimentos de meu Senhor Jesus Cristo, nunca mais me separarei do vosso amor. Ele me livrará do pecado no futuro. Dou-vos mil graças pelas luzes e pelo desejo que me dais de amar-vos sempre. Tomai posse de todo o meu ser, alma, corpo, faculdades, sentidos, vontade e liberdade. Sou vosso, salvai-me (Sl 118,94).

Sois o único Bem, o único Amável, sede meu amor. Dai-me fervor vivíssimo no nosso amor, pois, já que tanto vos ofendi, não me pode bastar o amor simples, mas um desejo de amar-vos muito a fim de compensar as ofensas que vos fiz. De vós, que sois onipotente, espero alcançá-lo... Também, ó Maria, o espero das vossas orações, que são onipotentes junto de Deus.

domingo, 21 de setembro de 2014

Porque Maria Santíssima permanece virgem para sempre - explicação de São Tomás de Aquino.


POR: COMPÊNDIO DE TEOLOGIA - SÃO TOMÁS DE AQUINO.

FOI CONVENIENTE QUE CRISTO NASCESSE DE UMA VIRGEM

1 — Foi demonstrada anteriormente a conveniência de ter o Filho de Deus assumido a Sua
carne de matéria pertencente à natureza humana. Ora, como é a mulher quem fornece a matéria na
geração, foi também conveniente que Ele assumisse a sua carne de uma mulher. Lê-se, a respeito,
em São Paulo: "Enviou Deus o Seu Filho, feito de mulher" (Gal 4,4).
2 — Para poder fornecer a matéria para a formação do corpo humano, deve a mulher unir-se
ao homem. Vimos acima, contudo, que a formação do corpo de Cristo não devia ter seu princípio no
sêmen viril. Por isso, a mulher da qual o Filho de Deus assumiu a Sua carne concebeu sem
recebimento do sêmen viril.
3 — Sabemos que quanto mais um ser está repleto de dons espirituais, tanto mais está
separado das coisas carnais: pelas coisas espirituais o homem é atraído para o alto; pelas carnais o é
para baixo. Como a formação do corpo de Cristo devia ser realizada pelo Espírito Santo, convinha
também que a mulher, da qual Cristo tirou o Seu corpo, fosse ao máximo repleta de bens espirituais,
de modo que não só a alma fosse favorecida pelas virtudes, mas também o ventre, pela prole divina.
Convinha também que não só a alma fosse livre de pecado, mas que o corpo igualmente fosse
imune de toda corrupção carnal. Por esse motivo, a Mãe de Deus não teve experiência de união
carnal, não só na concepção do seu Filho, bem como nem antes nem depois.
4 — A virgindade de Maria convinha não só para ela, mas também para Aquele que dela
devia nascer. Ora, o Filho de Deus vinha ao mundo assumindo a carne para nos elevar, para nos
preparar para o estado da ressurreição no qual para os homens "não haverá noivado, nem
matrimônio, mas onde todos serão como os Anjos do céu" (Mt 22,30). Por isso Cristo propôs uma
doutrina que ensinava a continência e a integridade: para que na terra, de certo modo, já resplandeça
na vida dos fiéis a imagem da glória futura. Convinha, portanto, que também pela própria origem da
Sua vida recomendasse a integridade, nascendo de uma Virgem.
5 — É dito, porém, no Símbolo dos Padres: "que se encarnou da Virgem Maria", para que
fosse afastado o erro de Valentino e daqueles que afirmaram ter sido fantástico o corpo de Cristo,

ou de outra natureza, que a humana, e, como tal, não assumido nem formado no corpo da Virgem.


A PERPÉTUA VIRGINDADE DA MÃE DE CRISTO

1 — Se na primeira santificação a Virgem Maria foi fortificada contra todo movimento de
pecado, como anteriormente
foi relatado, quando o Espírito, conforme a palavra do Anjo, a ela desceu para formar o corpo de
Cristo, então a graça Lhe foi muito mais aumentada e a inclinação ao pecado foi-Lhe também
enfraquecida, e, mesmo, totalmente afastada.
Por esse motivo, após ter sido ela feita o sacrário do Espírito Santo e o habitáculo de Deus,
não só deve acreditar-se não haver n'Ela mais movimento para pecado, bem como que não tivesse
experimentado deleite de concupiscência carnal.
2 — Deve, por isso, ser abominado o erro de Helvídio, que, embora tenha afirmado ter
Cristo sido concebido e nascido de uma Virgem, contudo, ensinava que, após o parto, ela gerara
outros filhos, tendo José como pai deles.
Tal erro não pode ser fundamentado no Evangelho de São Mateus, onde há um texto em que
se lê que José "Não a conheceu (isto é, à Virgem Maria) até que ela desse à luz o seu filho
primogênito" (Mt 1,25), como se, após ter Ela dado à luz Cristo, José a tivesse conhecido. Não
pode, porque até ("donec"), neste texto, não significa um tempo finito, mas, indeterminado.
Sabemos que é costume, na Escritura, afirmar-se que tenha algo sido especialmente realizado, ou
que não se tenha realizado, até que se venha a duvidar dessa afirmação.
Assim é que é dito no Salmo 109 "Senta-te à minha direita até que eu ponha os teus
inimigos por escabelo dos teus pés" (Sl 109,1). Ora, poderia haver dúvida se Cristo estava sentado à
direita de Deus enquanto não estivessem submetidos a Ele os Seus inimigos, mas depois se viu que
foram, e a dúvida não mais poderia permanecer.
Assim também poderia haver dúvida se antes do parto do Filho de Deus, José tivesse
conhecido Maria. Por isso o Evangelista teve o cuidado de afastar essa dúvida, estabelecendo como
indubitável que José não A conheceu, porque após o parto, de fato, não A conheceu.
3 — Tal erro também não pode ser fundamentado no fato de Cristo ter sido, no texto citado,
chamado de primogênito, como que, devido a essa denominação, Maria tivesse tido outros filhos,
depois de ter Cristo nascido. A Escritura, com efeito, chama de primogênito o filho antes de quem
nenhum outro é gerado, conservando, mesmo que após também nenhum seja gerado, essa
denominação, como se lê, a respeito dos primogênitos, que eram, conforme a Lei, santificados pelo
Senhor e oferecidos aos sacerdotes (Cf. Ex. 12,29; 34,19).
4 — Nem pode esse erro ser fundamentado no texto evangélico no qual alguns são
chamados irmãos de Cristo, como se, devido a essa expressão, Sua Mãe tivesse outros filhos (cf.
Mt. 12,47). É sabido que a Escritura costuma chamar de irmão todos aqueles que pertencem à
mesma linhagem, como se lê que Abraão chamou Lot, que era seu sobrinho, de irmão (cf. Gen.
13,8). É conforme essa denominação que são chamados de irmãos de Cristo os sobrinhos e outros
consangüíneos de Maria, bem como os consangüíneos de José, que era tido como pai de Cristo.
5 — Por isso, é declarado no Símbolo: "Que nasceu da Virgem Maria", onde Maria é
denominada Virgem no sentido pleno da palavra, porque ela permaneceu virgem antes do parto, no
parto e depois do parto.
6 — Até aqui já falamos suficientemente a respeito da intangibilidade da Sua virgindade
antes e depois do parto. Convém agora esclarecer que nem mesmo no parto a virgindade de Maria
foi violada. O corpo de Cristo, que entrou no recinto em que os discípulos encontravam-se estando
as portas fechadas, pôde também, pelo mesmo poder, sair do útero fechado da Virgem. Realmente,
não era conveniente que, ao nascer, destruísse alguma integridade, Aquele que devia justamente
nascer para restaurar a integridade da natureza humana corrompida.